Seleccionar página
Uma viagem singular e solitária a Santiago de Compostela por Manuel Vitorino

Uma viagem singular e solitária a Santiago de Compostela por Manuel Vitorino

Uma viagem singular e solitária

Manuel Vitorino

Há já muito tempo que sonhava fazer o caminho a pé até Santiago de Compostela. Não perguntem a razão, ou razões, mas a vida também é feita de mistérios, silêncios e, nem tudo é explicado à luz da racionalidade. Seja como for, o Caminho de Santiago com tudo aquilo que está subjacente em termos religiosos, fé, devoção, espiritualidade, conhecimento e cultura fazia parte dos meus planos. Assim, em Outubro de 2019, ou seja, antes da pandemia e após vários conselhos, palestras e algumas leituras, fiz-me ao Caminho. Tracei a rota e algumas linhas vermelhas: o trajecto seria efectuado sem companhia, isto é, caminhando e andando de uma forma solitária, introspectiva, com tempo para observar a Natureza e o património, parando ali e acolá, fotografando, olhando, admirando a paisagem. Sem pressas, sem constrangimentos de nenhuma espécie. Antes, com Liberdade.

Na minha mente e, antes da partida exclui, por opção, as datas festivas propícias às grandes aglomerações de pessoas, grupos de caminheiros com organizações ávidas de negócios. Sim, o Caminho de Santiago também foi contagiado pelo turismo massificado, pelos interesses de ocasião, pela lei da oferta e da procura. O Caminho já tinha começado na minha mente há muito tempo. Entrei às primeiras horas da manhã no comboio Porto/Vigo e, como cheguei cedo a Valença, não resisti a entrar na Fortaleza cheia de turistas ocupados nas tradicionais compras. Só foi tempo de tomar um café e dar corda às botas, isto é, fazer-me ao Caminho, dizer adeus à cidade fronteiriça, entrar em Tuí, olhar em passo apressado o casario antigo, subir a escadaria da  Catedral de Tui, dar um pulo à capela de San Telmo, padroeiro da cidade e rumar a outras paragens.

Caminheiros e geografias

Na curva da estrada, seguem-me outros caminheiros, na sua esmagadora maioria estrangeiros, gente de outros mundos e geografias. Todos desejam “Bom Caminho” e todos têm o mesmo propósito: chegar a Santiago de Compostela, entrar na catedral, assistir à missa do Peregrino e observar a cerimónia do “botafumeiro” na imponente e riquíssima Catedral. As pernas começam a habituar-se ao esforço físico e na passada, vou observando a paisagem soberba da ria de Vigo e depois, qual bálsamo para os sentidos, Porriño. Puxo a fita do tempo e recordo, com nostalgia e emoção, uma das minhas viagens ao célebre Festival de Poesia de Porriño, o encanto dos dias de festa, a troca de cumplicidades com nomes influentes das artes e das letras da Galiza, Xosé Luís Méndez Ferrín e o grande trovador Amâncio Prada, comovente e lírico ao entoar poemas de Rosalia de Castro. Em tempo: antes da pandemia virar o Mundo ao contrário, em Março de 2020, tive o privilégio de assistir a um memorável concerto no Seminário Menor de Braga, do cantor e autor de Adios Rios, Adios Fontes.

Redondela, um encanto

Depois de Porriño, seguiu-se Redondela, o ambiente da ruralidade galega está ao virar da esquina e, sigo por entre caminhos de campos agrícolas, vinhas, atravesso pontes e pequenos rios serpenteados por paisagens de encantar. Como não posso, melhor não devo, perder muito tempo à mesa, deixo a culinária local, os chocos, mais as ostras e os mexilhões para mais tarde e após algumas horas de descanso, sigo em direcção a Pontevedra, cuja cidade medieval e cheia de património tinha conhecido há vários anos, dantes caótica em termos de trânsito e agora, fruto da revolução urbana levada a efeito pelas autoridades locais, devolvida às pessoas, aos habitantes e aos turistas. Como foi bom regressar a Pontevedra, fotografar o Centro Histórico, entrar na Igreja da Virgem Peregrina em forma de vieira, carimbar a caderneta e cirandar pela cidade. Ficava por cá mais algum tempo, mas o caminho ainda é longo. Recolho-me aos aposentos e preparo a jornada seguinte, Caldas dos Reis, cerca de 18,5 Km.
Apesar de ser Outono, a temperatura está pouco amena e só a minha condição de peregrino continua nas alturas. Ainda tento saber como posso tomar um banho retemperador nas Termas de Caldas dos Reis, mas sem reserva tal não foi possível. Optei por descansar alguns minutos e aproveito para enganar o estômago, ingerir líquidos, muitos líquidos para continuar em boa forma física. Consulto o guia de viagem e vejo a próxima etapa, Padrón, mais 18,5 km em cima dos 22 já efectuados. Dois motivos forçam a seguir viagem: visitar a casa de Rosalia de Castro (e saborear os famosos pimentos) e conhecer a Fundação de Camilo José Cela, autor de “Mazurca para dois mortos”, Prémio Nacional de Literatura (1984) e Prémio D. Dinis, atribuído pela Fundação da Casa de Mateus. O primeiro desejo foi cumprido. Cheguei a Padrón ainda a tempo de visitar a Casa/Museu Rosalia de Castro, repositório de recordações, memórias e lugar de reencontro com uma das escritoras e poetisas mais importantes da nossa contemporaneidade. A emoção tomou conta do lugar. Por falta de tempo, já não pude visitar a vetusta Fundação de Camilo José Cela, mas em Padrón, um dos jardins principais faz a sua evocação e memória

A última etapa Padrón/Santiago de Compostela, já foi uma espécie de “Passeio no Parque”, cerca de 25 km, por entre bosques, encostas, aldeias com casario muito antigo, cruzeiros e alminhas. E quando lá de longe, vislumbro a parte alta da torre sineira da Catedral o meu caminho é outro, os dias de azáfama e as noites mal dormidas ganham outro sentido, mais ainda, quando entro na Catedral e cumpro a promessa, ou o desejo secreto de me deixar envolver na mística e espiritualidade de Santiago. Não há um Caminho. Antes, vários caminhos e confluências. Cada um faz o seu como entende e ao seu ritmo. Com fé, descoberta, reencontro consigo próprio num exercício salutar de liberdade e conhecimento

Heróis e cumplicidades

Uma nota final para acrescentar o seguinte: no fim desta jornada fiquei mais rico do que estava antes da partida. Fui só, mas nunca andei só. Pelo caminho, encontrei gente maravilhosa, cúmplice, até fiz amigos, mas o meu herói nesta maratona foi um jovem vindo da Ucrânia, deficiente físico de uma perna. Fez um esforço incrível e com o auxílio de duas muletas ortopédicas conseguiu andar centenas de quilómetros. Por várias vezes, fui-me cruzando com ele e reparei no enorme esforço físico despendido, apenas atenuado com a  ajuda de duas compatriotas.

Tal como eu, chegou à Praça do Obradoiro numa tarde de chuva miudinha, cansado, feliz e com um sorriso enorme. Nem foram precisas grandes palavras para descrever o contentamento estampado no rosto. O santo padroeiro acabou de fazer mais um milagre. Fazer o Caminho a Santiago já deixou há muitos séculos, de ser sinónimo de expiação de penas e castigos. Compostela é um lugar santo, fé, religiosidade, encontro de culturas. O meu foi tudo isto e muito mais: uma mistura de sentimentos, emoções, descobertas.

Manuel Vitorino

Manuel Vitorino

Jornalista

Nasceu no Porto (Portugal). Estudou História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e possui a Pós-Graduação em Direito da Comunicação, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Escreveu durante anos sobre cinema no jornal «O Primeiro de Janeiro» e depois, trabalhou quase 25 anos, no Jornal de Notícias. Depois da cidade, gosta do Futebol Clube do Porto,  mas também de caminhadas (adora o vale do rio Bestança, no Norte do País) e viajar pelo Mundo.
A Galiza é uma região onde gosta sempre de voltar e a Itália o seu destino de eleição. Adora Arte, música clássica, mas também música popular, cinema e ópera, museus, cidades com património. E escrever sobre as cidades, as suas gentes, gastronomia, culturas e tradições.

máis artigos

Do 17 ao 23 de maio 2021

Do 10 ao 16 de maio 2021

Do 3 ao 9 de maio 2021

Do 26 de abril ao 2 de maio

Do 19 ao 25 de abril 2021

Do 12 ao 18 de abril 2021

♥♥♥ síguenos ♥♥♥

2020 foi o ano de don Ricardo por Anxo González Guerra

2020 foi o ano de don Ricardo por Anxo González Guerra

Carvalho Calero por Anxo González Guerra

2020 foi o ano de Carvalho Calero,  de don Ricardo, como lle chamabamos os alumnos e alumnas. Que tiven a sorte de ser alumno seu dous cursos na Facultade de Filoloxía compostelá, mellor dito, discípulo seu, no sentido de persoa que aprende dun mestre. E con esa perspectiva vou analizar brevemente a súa vida e obra.

Nado en Ferrol en 1910 e finado en Santiago en 1990, desde o 2001 empezou a soar o seu nome para que se lle dedicase o Día das Letras Galegas. Mais ano tras ano, sempre aparecía outro ou outra que resultaba gañador do premio e Carvalho seguía sendo proposto no seguinte. E non foi ata o 2020, case vinte anos despois, que se lle dedicou o 17 de maio e o resto do ano á súa figura e obra.

Con tanta mala sorte que ese foi o primeiro ano da pandemia do coronavirus, o ensino quedou pechado nos primeiros días de marzo, o alumnado non acabou de rematar os traballos en marcha sobre el e non puideron celebrarse todos os actos previstos no seu honor. Mais si se publicaron libros e estudos sobre Carvalho Calero e a repercusión nas redes de Internet foi moi ampla, menos dá un toxo.

Ora ben, eses vinte anos que tardou en ser figura central das Letras Galegas foron debidos á súa opción ortográfica achegada ao portugués que mesmo o levou a cambiar o Carballo polo Carvalho?, como algúns proclamaron. Ou foron debidos a que a súa contribución á literatura galega, agás a Historia da literatura galega contemporánea, tampouco é tan importante?, sinalaron outros. Imos analizar as diferentes facetas de Carvalho Calero para poder decidir por unha ou outra opción.

O poeta

Comezamos pola poesía porque malia non ser o xénero que máis lle coñece o público el sentíase poeta e publicou poemas ao longo de toda a súa vida. Comezou no 1931 con Vieiros, seguiron O silenzo axionllado (1934), Anxo de terra (1950), Poemas pendurados dun cabelo (1952), Salterio de Fingoi (1961), Pretérito imperfeito (1927-1961) (1980), Futuro condicional (1961-1980) (1982), Cantigas de amigo e outros poemas (1986), Reticências (1986-1989) (1990) e algúns poemas máis publicados postumamente.

Segundo Pilar Pallarés «a súa poesía conecta intimamente coa europea e é testemuño, temática e esteticamente, dun século XX do que Carvalho se recoñece fillo”. Hai na súa obra modernismo, neotrobadorismo, hilozoísmo, creacionismo, ultraísmo.

Foi pois unha longa, variada e traballada obra poética. Só por ela ben se lle podían dedicar as Letras Galegas, homenaxeados houbo con menos méritos poéticos.

O dramaturgo

Carvalho Calero é tamén un destacado escritor de teatro, sobre todo nos anos escuros da posguerra. Mentres estivo dirixindo o colexio lugués de Fingoi promovía representacións escolares e publicaba textos.

A súa obra máis coñecida e moitas veces representada é A farsa das zocas, escrita en 1948 e publicada en 1963. Segundo Henrique Rabuñal “é a súa peza máis popular. Ambientada na vida rural galega da posguerra, está baseada nun relato popular recollido en San Sadurniño. Caricaturesca, humorística, próxima ás grandes farsas do noso teatro, aborda o tema do interese económico”.

O fillo, Isabel, A sombra de Orfeo, A arbre, O redondel, O auto do prisioneiro, Os xefes son outras pequenas pezas dramáticas escritas con anterioridade e publicadas todas no Teatro Completo (1982). Para Henrique Montagudo estas obras “sitúanse entre a tradición galega, estilizando a temática popular, e a conexión co teatro europeo coetáneo (teatro do absurdo), entre o clasicismo e a experimentación, con técnicas do teatro chinés, fórmulas expresionistas e aproximacións á linguaxe cinematográfica.»

Nesta faceta teatral tamén destaca a obra do noso autor. Sería ela soa suficiente para lle dedicar as Letras Galegas? Por que non?

O narrador

A súa contribución á narrativa comezou en 1951 con A xente da Barreira, que ten o mérito de ser a primeira novela en galego na posguerra. É unha novela histórica, realista, que narra a vida de tres xeracións da Casa de Barreira, unha novela de fidalguía.

Logo viñeron os relatos Os tumbos, As pitas baixo a chuvia, A cegoña, Os amores serodios, recollidos na Narrativa completa (1984).

E xa en 1987 publicouse Scórpio, a súa grande novela, que foi reeditada varias veces. Para Henrique Dacosta é unha narración centrada no imaxinario autobiográfico do autor e segundo Ramón Nicolás unha novela poliédrica e polifónica. A acción desenvólvese de forma lineal no período que vai de 1910 ao 18 de marzo de 1938, a vida de Scórpio en Ferrol, Santiago, Salamanca, Madrid, Valencia, Andalucía e Barcelona.

Esta novela moderna, ampla e complexa xa capacita por si soa ao autor para ser merecente dunhas Letras Galegas.

O ensaísta

Quizais sexa esta a faceta máis coñecida de Carvalho Calero polas moitas e importantes publicacións. A máis senlleira é sen dúbida a Historia da literatura galega contemporánea (1963 e ampliada en 1975). Comeza nos tempos da invasión francesa e remata cos autores do Seminario de Estudos Galegos. É a primeira grande sistematización de correntes, épocas, grupos, autores e obras deste período da nosa literatura. Foi un traballo inxente realizado en solitario e do que beberon os estudos posteriores. Ademais desde entón xa quedou moi claro que a literatura galega era a escrita en galego, non toda a escrita en Galicia ou por galegos.

Mais tamén foi autor de ensaios sobre a literatura galega: Sete poetas galegos (1955), Versos iñorados e ou esquecidos de Eduardo Pondal (1961), Sobre lingua e literatura galega (1971), entre outros. É, sen dúbida, un dos grandes especialistas na obra de Rosalía de Castro: Rosalía de Castro (1976), Estudos rosalianos: aspectos da vida e da obra de Rosalía de Castro (1979)…

Destacou no estudo da lingua galega. A súa Gramática elemental del gallego común (1966) é a primeira que sistematiza o estudo do galego. Está escrita en castelán porque os seus destinatarios son os estudantes universitarios alfabetizados en castelán. Da fala e da escrita (1983) e Do Galego e da Galiza (1990) son ensaios sobre a lingua nos que, entre outros temas, razoa a necesidade do achegamento entre o galego e o portugués por coherencia histórica e como chave para a supervivencia da nosa lingua.

Queda claro que tan importantes achegas no campo do ensaio o fan de sobra merecente dun ano das Letras Galegas.

O editor de autores

Tanto nas súas publicacións como en traballos promovidos desde a Universidade de Santiago Carvalho Calero achegou e explicou a obra de moitos autores: Eduardo Pondal, Rosalía de Castro, López Ferreiro, Marcial Valladares, López Abente, Lamas Carvajal, o teatro da Xeración Nós, Villar Ponte, Ramón Cabanillas…

Nada máis rematar Filoloxía Galego-Portuguesa achegueime ao seu despacho pedíndolle que me dirixise a tese de licenciatura e me suxerise un tema. A súa proposta foi que estudase a lingua usada por Manuel Antonio, así que a el lle debo o meu idilio con este autor e logo acolleu a edición que do rianxeiro fixemos Xosé Ramón Pena e mais eu nos Clásicos do estudante galego que dirixía. El sempre animando e axudando.

O profesor

Despois da Guerra do 36 e do cárcere, Carvalho Calero foi desde 1950 conselleiro delegado e profesor no Colexio Fingoi de Lugo, un colexio moderno e innovador no que puido desenvolver a súa tarefa docente e impulsar as representacións teatrais. 

Alí foron acollidos profesores novos que despois serían persoeiros da literatura como Bernardino Graña e XL Méndez Ferrín. En 1965 xa puido recuperar o seu posto de profesor de instituto no Rosalía de Castro compostelán naquelas aulas con 64 nenas de dez anos, nas que poucas veces perdía a paciencia, como conta Vitoria Ogando que tivo a sorte de ser alumna súa alí e despois da Facultade de Filoloxía. Pronto empezou a compaxinar coas clases na Universidade e desde 1972 xa foi o primeiro Catedrático de Lingüística e Literatura Galega. En 1976 comezou a subsección de Galego-Portugués na que el foi, para moitos de nós, o principal referente ata a súa xubilación en 1980.

O persoeiro galeguista

Participou activamente no movemento estudantil en Santiago, integrouse e traballou  nas tarefas do Seminario de Estudos Galegos, colaborou no primeiro nivel da redacción do Estatuto de Galicia do 36, estivo na creación do Partido Galeguista, foi compromisario pola Coruña para elixir o Presidente da República, como tenente do exército republicano participou na defensa de Madrid, foi preso polos franquistas e recluído na cadea de Xaén.

De volta a Galicia, en 1958 ingresou na RAG, na que traballou arreo sendo o principal redactor das normas ortográficas da Academia. No 1979 o conselleiro Fernández Barreiro nomeouno presidente da comisión encargada de redactar as normas ortográficas do galego, que unha vez aprobadas foron axiña substituídas por outras do ILG sendo conselleiro Filgueira Valverde. Nese mesmo ano foi presidente da comisión organizadora da magna exposición O libro galego onte e hoxe.

Xa desde moi novo colaborou en multitude de publicacións: A Nosa TerraNósGuión, Galiza, Resol, Universitarios, Papel de Color, Grial… Deixou tamén unha morea de artigos nos xornais galegos.

Foi membro de honra da AGAL e da AELG, e membro da Academia das Ciencias de Lisboa. En 1968 foi Pedrón de Ouro. Tamén Medalla Castelao o ano da súa creación, 1984, con Filgueira Valverde, Ánxel Fole, Antón Fraguas, Emilio González López, Xaquín Lorenzo, Ramón Martínez López, Isidro Parga Pondal e Valentín Paz Andrade, todos prestixiosos persoeiros. Ademais nomeárono Fillo predilecto de Ferrol e Fillo Ilustre de Galicia (póstumo, polo Parlamento galego onde está a súa biblioteca). En Ferrol hai un complexo deportivo e un IES co seu nome, o mesmo que varias rúas galegas.

Remate

Despois da análise dos apartados anteriores, a pesar de que a miña condición de discípulo me fai ver positivamente a súa figura, queda ben claro que Carvalho Calero foi unha das personalidades senlleiras da cultura galega do século XX. Aínda que a cultura oficial e “autonómica” se empeñou desde 1979 en facer de menos a súa figura coa escusa da súa opción ortográfica lusista, aínda que a RAG tardou 20 anos en atopar “o momento” para dedicarlle o Día das Letras Galegas, aínda… a súa inxente obra, o seu traballo, a súa dedicación a Galicia, o seu maxisterio quedarán no noso acervo para sempre.

E remato con tres pingas que tiven a sorte de vivir con el naqueles anos.

Na listaxe de obras de lectura, en 5º de carrreira na facultade, en Literatura galega contemporánea non estaban A esmorga nin Á lus do candil, fomos falar co catedrático don Ricardo e quedaron incluídas no momento, sen ningún problema. No 1979 viaxei con el tres veces en coche de Vigo a Santiago. Non parou de falar e falar de persoas, obras, feitos… sen unha soa mala palabra sobre algúns citados que entón xa lle facían o baleiro. Nunha palestra súa, na quenda de preguntas un dos presentes fixo unha longa crítica da súa escolla ortográfica acusándoo de rematar co galego, a resposta de don Ricardo foi: moitas grazas, e agora podería repetirme cal era a súa pregunta. O aplauso non se fixo agardar.

A homenaxe a Carvalho Calero fíxose agardar, certamente, mais vai perdurar e non só na mente dos que fomos os seus alumnos, seguidores ou discípulos.

Aquel que no horizonte duas vezes
enxergou o cometa, viveu muito.
Nom antecipes o teu próprio luito,
nem ao cabo te laies se esmoreces
(Reticências)

Pontevedra, abril de 2021

Anxo González Guerra

Anxo González Guerra

Profesor de Galego

Son Anxo González Guerra. Crieme entre Trasar de Carballo e a Cervela, lugares da montaña luguesa. No Seminario tiven de profesor ao mestre das etimoloxías Nicandro Ares, no Instituto a Alonso Montero, no Colexio Universitario a Anxo Tarrío e na Facultade de Filoloxía a Carvalho Calero. Terán algo que ver en que sexa un dos integrantes da 1ª promoción de Galego-Portugués?

De xaneiro de 1980 a abril de 2015 fun profesor de Lingua Galega e Literatura no IES Sánchez Cantón onde tiven alumnos e alumnas marabillosos. Desde 2005 Vitoria Ogando e mais eu fomos poñendo materiais na Internet: ogalego.eu. E seguimos de xubilados.

Alá na miña terra da infancia aos xubilados dáselles por traballar unha ribeira ou un morteiro. A min dáseme por cousas de lingua e literatura, alí onde queiran escoitarme. A cabeza non para, non convén estar ocioso.

máis artigos

Do 17 ao 23 de maio 2021

Do 10 ao 16 de maio 2021

Do 3 ao 9 de maio 2021

Do 26 de abril ao 2 de maio

Do 19 ao 25 de abril 2021

Do 12 ao 18 de abril 2021

♥♥♥ síguenos ♥♥♥

Tarta de mazá por Chicha García

Tarta de mazá por Chicha García

Porciones

8

Listo en:

40 minutos

Ideal para:

Postre

Ingredientes

  • Masa de hojaldre fresca
  • 6 mazás golden ou tabardilla
  • 100 ml nata líquida
  • 100 ml de leite
  • 1 ovo
  • 1 ½ cullerada de azucre
  • Unha cucharadita de levadura química
  • 1 cullerada grande de maicena

Forno quente a 220º logo baixar a 200º 30 minutos

Pintase con mermelada quentada no micro-ondas

    Chicha García

    Chicha García

    Pantaloneira e cociñeira

    Chicha García, naceu en Xeve durante case toda a vida dedicouse a facer pantalóns.

    Mentras o seu marido Chicho Tilve traballaba de cociñeiro ela encargábase dos postres e as empanadas. Fan un tandem perfecto.

    Empanada de millo de zamburiñas

    Flan de Ovos

     

    máis artigos

    Do 17 ao 23 de maio 2021

    Do 10 ao 16 de maio 2021

    Do 3 ao 9 de maio 2021

    Do 26 de abril ao 2 de maio

    Do 19 ao 25 de abril 2021

    Do 12 ao 18 de abril 2021

    ♥♥♥ síguenos ♥♥♥

    Bolboreta por Manuel Hermida Rivas

    Bolboreta por Manuel Hermida Rivas

    A bolboreta
    debuxa un beixo
    con moitas cores
    nalgún espello.

    Beixo amarelo
    de noz e mel,
    brinco na brisa,
    luz de papel.

    A bolboreta
    debuxa un beixo
    que rouba ó aire
    moitos insectos.
    Beixo violeta,
    vivo lunar,
    onda nas nubes,
    choiva no mar.

    A bolboreta
    debuxa un beixo
    que cando soa
    racha o silencio

    de ANTONIO GARCÍA TEIJEIRO 

    Manuel Hermida Rivas

    Manuel Hermida Rivas

    Fotógrafo

    Manuel naceu en Verducido no ano 1953, encántalle a fotografía e sempre vai acompañado pola sua cámara.

    Historia de vida – Blog

    Puesta de sol en Bascuas/ Amanita Muscaria / Camelias

    máis artigos

    Do 17 ao 23 de maio 2021

    Do 10 ao 16 de maio 2021

    Do 3 ao 9 de maio 2021

    Do 26 de abril ao 2 de maio

    Do 19 ao 25 de abril 2021

    Do 12 ao 18 de abril 2021

    ♥♥♥ síguenos ♥♥♥

    Galo e torre Eiffel de Montse Sanmartín

    Galo e torre Eiffel de Montse Sanmartín

    «Galo e Torre Eiffel»

    Óleo sobre lenzo 70x50cm.

     É a reprodución do orixinal de Marc Chagall. Foi este un pintor francés de orixe bielorrusa dos primeiros anos do século XX, un dos máis importantes do vangardismo europeo. Está considerado como o pintor por excelencia. As súas obras comunican felicidade e optimismo mediante cores intensas(lembremos a Matisse). O seu traballo fluctúa entre a realidade e a fantasía co mundo dos soños sempre presente, ambientes máxicos e mundos misteriosos.
    Neste cadro observamos ese cromatismo brillante que é unha peculariedade que domina toda a súa produción. Así mesmo o galo, a Torre, a parella de noivos e outros animais son motivos que reaparecen nas súas creacións.

    Notas biográficas da autora:

    Montse naceu na Estrada en 1960. Estudou no Instituto Manuel García Barros desta cidade o bacharelato  e Filoloxía Hispánica en Compostela, exercendo como profesora de Lingua galega e literatura durante 25 anos.

    Desde 1988 vive na Coruña a onde chegou tras obter destino definitivo en Carballo, aínda que  pouco despois conseguiu  o traslado para o IES Ramón Menéndez Pidal da cidade, alí desenvolveu a  docencia ata a súa  xubilación no 2007.

    Ao xubilarse  puido dedicarse de forma máis plena a unha das súas paixóns: pintar. Na súa produción artística conta con cadros orixinais seus e outros, coma este que nos presenta hoxe, que son interpretacións de autores aos que admira.

    máis artigos

    Do 17 ao 23 de maio 2021

    Do 10 ao 16 de maio 2021

    Do 3 ao 9 de maio 2021

    Do 26 de abril ao 2 de maio

    Do 19 ao 25 de abril 2021

    Do 12 ao 18 de abril 2021

    ♥♥♥ síguenos ♥♥♥

    Español