De deuses úteis e deuses inúteis.

Domingos Antom Garcia Fernandes

O título guarda relaçom com o livro de José Álvarez Junco, Dioses útiles. Naciones y nacionalismos (2016). Quero chamar a atençom sobre as questons identitárias para enfatizar o carácter contingente de boa parte das mesmas para fugir de desígnios providenciais, mistérios insondáveis ou genialidades coletivas… Escapar, já que logo, de fatores económicos, sociais, políticos e ideológicos dumas poucas, pois acontecem assim mesmo nas demais… Emoçons e mitologias que têm que se submeter à crítica da razom… O futuro nom está escrito, as identidades nom som eternas, mas históricas, nom têm marcas essencialistas, nom som perenes. É conveniente ser críticos perseverantes com as elites nacionalistas; con ideólogos, ativistas, dirigentes políticos, e um longo et cetera que consciente, ou mesmo sem o saber, defendem interesses pessoais e esquecem, se eles já tiveram isso na sua memória, o construcionismo das mesmas.

Desejo retomar as palavras de abertura da introduçom de Donald Sassoon ao recente livro de Eric Hobsbawm, Sobre el nacionalismo (2021): “A Eric Hobsbawm no le gustaba el nacionalismo. Como escribió en 1988 en una carta dirigida a un historiador nacionalista de izquierdas: <<Sigo estando en la curiosa posición de rechazar, desconfiar, desaprobar y temer al nacionalismo allá donde exista, quizá aún más que en la década de 1970, si bien reconozco su enorme fuerza, que se debe aprovechar para progresar, si ello es posible. Y a veces lo es. No podemos dejar que la derecha monopolice la bandera. Pueden lograrse algunas cosas movilizando los movimientos nacionalistas… Sin embargo, yo no puedo ser nacionalista ni tampoco, en teoría, ningún  marxista lo puede ser>>. Su antinacionalismo no resulta sorprendente. Era un judío que se oponía al sionismo; un británico que nació en Egipto en el año de la revolución rusa. Su abuelo era polaco. Su madre vienesa. Su padre nació en Inglaterra. Sus padres se casaron en Suiza. Su esposa, Marlene, nació en Viena y creció en Manchester. Él se crió en Viena y Berlin, y era un muchacho cuando los nazis llegaron al poder, una experiencia que le produjo una impresión imperecedera. En su autobiografía escribió que Berlín hizo de él un marxista y comunista de por vida…”.

Também gostaria de lembrar a qualidade poliédrica dos nacionalismos. E para isso colho os títulos – claro que eles nom esgotam, nem de longe, o assunto –  dum curso sobre os mesmos, na Biblioteca Pública de Ponte Vedra, no ano académico 2016-2017:

naçons e nacionalismos em Ernest Gellner I e II ; comunidades imaginadas e anarquismo e imaginaçom anti-colonial em Benedict Anderson; naçons e nacionalismos em Eric Hobsbawm; a construçom das nacionalidades em Adrian Hastings; estado e naçom em John A. Hall e outros; a naçom em tempo heterogéneo e a subalternidade em Partha Chatterjee; a crítica pós-colonial em Homi Bhabha; crítica do racismo e do pós-colonialismo em Gayatri Chakravorty Spivak; crítica da razom negra  em Achille Mbembe; o estado islámico; o populismo em Ernest Laclau e Carlos Fernández Liria; brutalidade e complexidade na economia global segundo Saskia Sassen; o nacionalismo banal em Michael Billig.

Também de quase doze anos atrás pode-se ler um artigo sobre o título de Oito questons a respeito da naçom que se podem mudar em razons para ser ou nom nacionalista de Primeira Linha em rede 2.0. Dava lugar a algumas visons da problemática nacional; à naçom-estado em perspectiva económica transnacional. Em contra do mito das economias autocentradas; de nacionalismo e interclassismo. Em contra da religiom interclassista; nacionalismo e política. A questom do Estado. Em contra do mito do Estado neutro; nacionalismo e ideologia. Em contra das ideologias universalistas, de universalismo fingido; de nacionalismo e historia. Em contra das visons teleológicas da história; nacionalismo e língua. Em contra da mitologia da língua; o nacionalismo como religiom. Em contra do conservadurismo e da docilidade, do gregarismo; nacionalismo e ecologia; para concluir: a respeito da mudança de sistema. Hoje gostaria de fazer esclarecimentos e correçons em tudas as seçons, mas fica para milhor ocasiom. Embora quero recomendar dous livros que forom importantes na redaçom do artigo e outro, publicado há poucos meses e que atualiza um pouco o pensamento de William I. Robinsom. Seriam do referido autor: Una teoría sobre el capitalismo global. Producción, clase y Estado en un mundo transnacional (com prólogo do autor para a ediçom em espanhol de 2013) e El capitalismo global y la crisis de la humanidad (com prólogo, de 2020, do autor sob o título de La pandemia del capitalismo global para a ediçom em espanhol de 2021). E o clássico livro de Michel Beaud Historia del capitalismo de 1500 a nuestros días (segunda ediçom em espanhol de 2013).

E, pois que o artigo nom tem de ser muito longo fago uma nova recomendaçom, ler um artigo de Guillermo del Valle: “Modelo neoliberal e centralista.”: un perverso oxímorom (2021), onde, entre outros, explica que o modelo da direita hegemónica, que tenta reduzir a capacidade pública de controlo do poder privado, passa pola descentralizaçom da política; que é uma tese falaciosa que centralismo seja sinónimo de neoliberalismo; que as principais escolas neoliberais de economia – esculca com certo detalhe (lembre-se que estamos a falar dum artigo!) a Escola Austríaca de Economia – falam de descentralizar o Estado, e mesmo do direito de secessom;

 que o neoliberalismo nom está interessado num Estado forte produtor, regulador e com plenas capacidades redistributivas;que o neoliberalismo propugna uma teoria plebiscitária e contratualista da secessom… Mesmo uma palavras de Mises: “… Si hubiera alguna forma posible de conceder este derecho de autodeterminación individual a toda persona individual, debería hacerse.” E um longo et cetera. Para conhecer um pouco mais de por onde corre o pensamento de Guillermo del Valle recomenda-se ler: Entrevista a Guillermo del Valle por Santiago Armesilla, 

Antes de concluir gostaria de transcrever istas palavras, a respeito da naçom, de Benedict Anderson em Comunidades imaginadas: “… una comunidad política imaginada, e imaginada como inherentemente limitada y soberana. Es imaginada porque incluso los miembros de la nación más pequeña no conocerán jamás a la mayoría de sus compatriotas, no los verán ni oirán siquiera hablar de ellos, pero en la mente de cada uno vive la imagen de su comunión (…). La nación se imagina como comunidad porque, independientemente de la desigualdad y la explotación que puedan prevalecer en cada caso, la nación se concibe siempre como una camaradería profunda, horizontal. En última instancia, es esta fraternidad la que ha permitido, durante los últimos dos siglos, que millones de personas maten y, sobre todo, que estén dispuestas a morir por estas imaginaciones tan limitadas.” Nom entro en novos comentários, embora questionar o de matar e morrer, pois a liberdade para isso é mais bem exígua.

E outra citaçom mais (niste caso do devandito prólogo de 2020 de William I. Robinson): “ Difícilmente se podía subestimar el alcance del colapso económico desatado por el brote viral. Varias agencias internacionales estimaron, a los tres meses de la pandemia, que hasta dos mil millones de personas habían perdido su sostén y al menos 500 millones fueron arrojadas a la pobreza, millones enfrentaban hambre, hasta 500 millones de pequeños negocios podrían quedar en la quiebra, y que para 2020 la economía global experimentaría una contracción de hasta el 10%. La clase capitalista transnacional (CGT) se empeñó en trasladar la carga de la crisis y el sacrificio que imponía la pandemia a las clases trabajadoras y populares. Los Estados capitalistas alrededor del mundo aprobaron rescates masivos para el capital mientras se escurrieron de esta piñata unas migajas para las clases trabajadoras. Los gobiernos estadounidense y europeos asignaron al menos 8 mil millones de dólares en préstamos y subsidios a las corporaciones privadas, aproximadamente equivalente a todas sus ganancias en los dos años anteriores a la plaga, lo que la revista The Economist calificó como “el rescate más grande de la empresa privada en la historia.” Mientras estos miles de millones de dólares se acumularon en la parte más alta de la pirámide social global, la pandemia dejó a su paso más desigualdad, más tensión política, más militarismo y más autoritarismo.”

E nissas continuamos. Deixo para outra ocasiom insistir mais em que nacionalismos e imperialismos som a maneira que tem de se organizar o capitalismo de 200 anos a ista parte. E que ser nacionalistas nom é ser anticapitalistas. Assim mesmo afundar mais nas pseudoesquerdas…

Domingos Antom Garcia Fernandes

Domingos Antom Garcia Fernandes

Profesor de Filosofía

Domingos Antom Garcia Fernandes, nasceu em Hermunde-Pol,  na Terra Chá, a 21 de Janeiro de 1948. Freqüentou dez anos de estudos eclesiásticos no Seminário Diocesano de Lugo. Mestre de Primeiro Ensino pola Escola Normal de Lugo, licenciado e doutor em Filosofia pola USC. Foi professor de EGB e catedrático de Filosofia no Ensino Secundário. Membro fundador da Aula Castelao de Filosofia, da qual foi porta-voz e coordenador e na atualidade Membro de Honra. Foi professor de Antropologia Geral, História da Antropologia e Antropologia Económica na UNED de Ponte Vedra.
Foi professor convidado na Universidade de Vigo, em 2011, na docência da matéria de Ética e deontologia da comunicaçom audiovisual. Foi professor convidado na Universidade de Vigo, em 2018, na matéria de Sociologia: Sociedade, Cultura e Pensamento. Foi Presidente de Amig@s da Cultura de Ponte Vedra.
Foi professor de Filosofia e de Ética no Graduado Universitário Senior da Universidade de Vigo.
Imparte um curso de Filosofia, de carácter anual, na Biblioteca Pública de Ponte Vedra.
Co-autor de Antom Losada. Teoria e Praxis (1984), Reflexons sobre a vida moral (1995), A Ética na que vives (1995). Coordenador de Para umha Galiza Independente. Ensaios, testemunhos, cronología e documentaçom histórica do independentismo galego (2000). Co-participante en diversas colectâneas.
Participou como relator ou comunicador em numerosos congressos e jornadas com temas como a filosofía marxista, os NMSA, o estatuto e as funçons da Filosofia, a problemática nacional em relaçom com a questom ecológica, et cetera. Colaborou em diferentes jornais e revistas e prologou diversos livros.
Foi colaborador assíduo da publicaçom trimestral Abrente e da Abrente Editora, além de colunista de Primeira Linha em Rede, de Diário Liberdade e de kaosenlared.net.

Historia de vida

Nem chefe de estado monárquico nem republicano

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