Sonho lúcido

 

Fecho os olhos e o mundo abre-se dentro de mim!

Há grades feitas de névoa, há muros tecidos de silêncio.

E um vulto ergue as mãos, como se pedisse o céu.

Sou eu

No sonho não existem limites, apenas possibilidades.

Neste território sem chão,

Visto todas as peles do impossível.

Sou voz que incendeia palcos,

Sou tinta que respira na tela.

Sou verso que nasce do próprio sangue.

Tenho mãos que curam,

Raiz que protege florestas,

Luz branca sobre feridas abertas.

Sou canto, sou cor, sou palavra, sou mundo.

Aquí nada me limita.

A realidade dissolve-se, como sal na água.

O sonho segura-me com fios de neblina.

Doce prisão.

E, mesmo aprisionada, nas margens deste sono, desperto.

 Escolho quem sou, quantas vezes quiser.

Mas há um lugar mais secreto.

Um jardim onde o tempo não ousa entrar.

É ali que me prendo de verdade, ali reencontro.

O abraço que o mundo levou, o riso que a terra guardou.

O grande amor que partiu, sem nunca sair de mim.

E volto noite após noite,

A esse sítio invisível,

Onde a ausência tem rosto,

Tem voz, com eternidade!

 

          Pintura e poema de Teresa Melo

María Teresa Van Caennemberg de Oliveira Melo

María Teresa Van Caennemberg de Oliveira Melo

Nascida em 05/12/1958 em São João da Madeira onde viveu até 1973.

Nesse ano trocou a vida pacata da vila pelo rebuliço da garbosa cidade do Porto onde concluiu os estudos na área de Turismo, profissão que abraçou apaixonadamente até 2008.

Seus pais sempre lhe incutiram a importância da leitura, narração de histórias e viagens como pilar do ensino-aprendizagem que a levaram a escrever textos e poemas desde adolescência.

Sua paixão pela Arte tenta conciliar a pintura e a escrita.

Em 2020 participou na Colectânea Raia Luso Espanhola a convite da poetisa e amiga Graça Foles Amiguinho.

Em 2021, participou na Colectânea Cultura Sem Fronteiras.

” Acredito que a Arte é a alma da Sociedade”

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