Olena Zelenska – A mulher de quem se fala por Graça Foles

Olena Zelenska – A mulher de quem se fala por Graça Foles

Olena Zelenska, a Primeira – Dama da Ucrânia, poderemos considerá-la como símbolo de talento, patriotismo, beleza, sucesso, simplicidade e coragem. Mundialmente, é uma Mulher influente, embora muito discreta.

Nasceu em 6 de fevereiro de 1978 na cidade de Kryvyi Rih, na Ucrânia. A sua religião é o Cristianismo.

Completou o ensino médio na sua cidade, seguindo, depois para a Faculdade de Arquitetura, altura em que conheceu Volodymyr Zelensky que frequentava a Faculdade de Direito.

Um longo namoro de oito anos fortaleceu os laços de amor que os unem.

Outra paixão os uniu! A representação.

Olena Zelenska desenvolveu as suas capacidades como escritora de comédia e o seu amado, Volodymyr Zelensky, interpretou esses personagens, tornando-se um ator cómico de grande prestígio, antes de concorrer à Presidência da Ucrânia, em 2019.

Em 6 de setembro de 2003, uniram as suas vidas, tendo dois filhos, Oleksandra nascida em 2004 e Kyrylo em 2013.

O destino, muitas vezes, revela grandes surpresas.

Em 2015/ 2018, Volodymyr Zelensky interpretou um personagem, numa comédia escrita por Olena Zelenska, “Servant of the people” em que um homem comum acordou, um certo dia, como Presidente da Ucrânia.

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Em 2019, Volodymyr Zelensky concorre à Presidência da Ucrânia e ganha as eleições, governando de acordo com os ideais do personagem que interpretara na comédia.

Assim se tornaram o casal mais jovem, na Presidência do seu país.

Grande missão os aguardava!

Olena Zelenska receou muito o percurso político do marido, mas não se poderia opôr à sua escolha. Ela continuou sendo escritora e educadora dos filhos. Mas algo muito maior estava a surgir na sua vida e era urgente ser protagonista de outas ações como defender a segurança das mulheres, a saúde das crianças e a proteção dos deficientes.

Em 24 fevereiro de 2022, a sua estabilidade emocional foi tremendamente abalada, e foi nesse momento que a Mulher que se tornou a Primeira – Dama da Ucrânia mostrou, a todo o mundo, a sua coragem, enquanto as bombas caíam sobre a sua terra.

Enquanto o inimigo procurava desvirtuar a imagem do Presidente Ucraniano, Olena Zelenska, nas redes sociais partilhava imagens de soldados reais, homens e mulheres prontos para defender a sua Pátria.

O seu nome ficará na História associado aos horrores violentos ocorridos nesta guerra que não tem um fim à vista.

Palavras que traduzem o sentir e a determinação de uma grande Mulher ficarão para sempre na memória de tantas outras mulheres que viveram esses momentos:

“ Hoje não terei pânico, nem lágrimas. Estarei calma e confiante. Os meus filhos estão olhando para mim. Estarei ao lado deles, ao lado do meu marido e consigo.”

Um exemplo de coragem e determinação que tem sido estímulo para que todas as mulheres Ucranianas vejam nela um exemplo a seguir, uma defensora dos seus direitos, uma voz amiga e sincera.

Apesar de saber que, tanto o marido como ela e os filhos seriam alvos a abater pelo invasor, não abandonou o seu país. Mais ainda, tem sido a voz do seu amado Presidente em todo o mundo democrático, onde tem sido acarinhada e aplaudida, defendendo a Liberdade da Ucrânia!

Muitas das suas frases, que todo o mundo ouviu e soube compreender, revelam quanto sofrimento uma Mulher e Mãe pode sentir debaixo de uma guerra:

“ Não tivemos filhos para escondê-los em caves, dos mísseis russos. Queremos que eles vivam. Assumir esta realidade, entender que temos que viver, apesar de tudo, deixa-nos ainda mais desesperados. Mas temos que fazer alguma coisa. Não fazer nada seria muito pior.”

Viveu meses longe do marido, regressando, depois, à capital do seu País.

Mesmo assim, declarou:

“Ainda estamos separados, porque o meu marido mora onde trabalha e vemo-nos poucas vezes. Os meus filhos querem ver o pai, abraçá-lo”.

Na sua simplicidade de esposa e mãe, contou uma conversa com o filho:

“ Ontem, o meu filho perguntou-me quando acaba a guerra para que possamos jantar ou dormir juntos, para assistirmos a um filme ou ler um livro.”

familia

E, na sua sabedoria e capacidade extraordinária para lidar com uma situação tão difícil, acrescentou:

“ Temos que superar tudo isto para que a saúde mental de uma criança não seja afetada.”

Para ela, o marido não é o “presidente” nem uma “estrela da televisão ucraniana”.

Sempre o viu como “um amigo, um companheiro, um marido para toda a vida e um pai dos seus filhos.”

Tudo o que sonhou e desejou viver a seu lado, foi alcançado. Talvez, mais ainda, porque assim descreve, Volodymyr Zelensky:

“Ele cumpriu todas as minhas expectativas: ser o melhor pai para os meus filhos. Ele é a pessoa que nunca me falhou, nunca duvidei dele!”

Na Ucrânia, a primeira-dama não tem um cargo ou funções oficiais. As responsabilidades são dela para criar ou não. Ela começou com uma iniciativa para melhorar a nutrição das crianças nas escolas e com a sua Fundação irá ajudar muitos jovens a concretizar sonhos, a superar os danos da guerra, pois não lhe faltarão apoios internacionais para que os seus desejos se tornem realidades e levem um pouco de conforto a quem já tanto sofreu com uma guerra injusta, sem sentido.

No seu mandato como primeira-dama, Olena Zelenska tem feito discursos empolgantes sobre os direitos das mulheres, pressionou para que haja melhores infraestruturas para pessoas com deficiência, trabalhou nos esforços paraolímpicos da Ucrânia e defendeu a educação STEM para meninas. Desde o início, ela escolheu usar roupas de estilistas ucranianos com a maior frequência possível, para mostrar seu talento ao mundo.

Olena Zelenska aproveita todas as oportunidades que lhe são dadas para exultar o seu povo, a quem pede que continue a lutar:

“Nós somos o exército, o exército somos nós. E as crianças que nasceram em bunkers vão viver em paz num país que se defendeu a si próprio”.

Noutra publicação partilhou uma imagem de uma mulher fardada com as cores do exército, lembrando que a Ucrânia tem mais dois milhões de mulheres do que homens, sendo que muitas delas se juntaram às forças armadas para ajudar no combate aos russos:

“Admiro-vos tanto, minhas incríveis compatriotas”-  disse, estendendo os elogios a todos os que continuam a operar nos serviços essenciais.

“Estou orgulhosa de viver convosco no mesmo país.”

Que mais se pode exigir de uma Mulher, assim?

Graça Foles Amiguinho

Graça Foles Amiguinho

Colaboradora Portuguesa

“Son Maria de Graça Foles Amiguinho Barros. Vivo en Vila nova de Gaia, pero nascín no Alentejo, nunha aldeia pequena chamada A Flor do Alto Alentejo.

Estudei en Elva. Fiz maxisterio en Portoalegre. Minha vida foi adicada ao ensino durante 32 anos, aos meus alumnos ensineilles a amar as letras, o país, as artes e a cultura. 

Meu começo coa poesia aconteceu de xeito dramático cando partin os dous braços, en 2004 comecei a escribir poesia compulsivamente, en 2005 xa tiña o primero libro editado  O meu sentir…”

A guerra do pao

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Um recanto do meu jardim por António Silva

Um recanto do meu jardim por António Silva

Um recanto do meu jardim 

Técnica: Acrílico e pastel seco sobre tela com texturas e colagens

 Nesta pintura usei colagens e quis lembrar um pequeno recanto de um jardim florido que ofereci à minha amada, sob um céu primaveril. Na colagem tenho pequenos pedaços de poemas que eu escrevi.

 António Silva

Recanto
António Silva

António Silva

Poeta

Eu me chamo António Silva. Sou português e da província do Baixo Alentejo. Gosto muito de pintar e escrever poesia.

Meus poemas são pequenas pinturas coloridas. Cada tela que pinto é um poema colorido. E meus poemas são pinturas que retratam pedaços da minha vida. Recordações de infância que ficaram gravadas em meu coração. Eu gosto de colorir a vida com meus poemas e minhas pinturas. Assim a vida é mais fácil e mais bonita. Pinto e escrevo, como se ainda eu fosse uma criança.

Pois por dentro, eu não mudei, sou uma criança que tem um corpo de adulto.

As distâncias que eu percorri

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O pão das pedras por Risoleta C. Pinto

O pão das pedras por Risoleta C. Pinto

As duas peregrinações que fiz a Santiago ficaram-me guardadas no coração como se tivesse erguido um templo dentro de mim. Posteriormente, ocasiões tem havido de forte impulso para regressar: a Santiago, aos campos que é preciso atravessar, ao templo, ao meu coração. Como uma dimensão do mundo em que vivemos é material, não há como voltar a pôr os pés no chão e a mochila às costas, mas nem sempre o ser consegue libertar-se da obrigação e partir para a acção. Porque, frequentemente, a acção é a obrigação. Assim, a alternativa é reentrar nesse templo já erguido e fazer a peregrinação por dentro. Foi o que fiz há uns anos, em 2014: onze dias de peregrinação poética ao meu interior, que fui registando como se estivesse a fazer o caminho. Tudo isso está numa pequena e obscura página algures perdida na Internet a que de vez em quando regresso peregrinando ou ensaiando um novo peregrinar ou apenas recordando. Nestes últimos dias que decorreram, voltei lá e encontrei o que escrevi naquele que ficou numerado como o décimo primeiro dia:

«Chora e ora. Partilha peixe e pão. E espera.»

Uma foto de Jean-François Ganas ilustra as palavras que neste momento me tocaram como se fossem de hoje. Em tempo de guerras e confusão, tem de haver um tempo de chorar, para que não nos inundemos por dentro. E como nas guerras anteriores, aquelas que já não conhecemos por termos vindo posteriormente, é preciso não arrecadar, pois tudo o que se arrecada apodrece, mas partilhar o que houver. Por vezes pode ser esta a acção que se nos exige. E a partilha também pode ser pela arte e pela criação. 

petit déjeneur de Jean François Ganas

Por vezes parecemos pobres à porta da nossa própria casa suplicando aquilo que só nós podermos dar-nos. Uma página de poemas, uma história recontada, um desenho na folha de um caderno de criança, uma canção embalada pelo corpo, uma dança dervixe como quando eramos crianças e ainda hoje vemos aos mais pequenos em louco rodopiar. E a nossa alma inveja. As crianças existem no mundo para recordar os adultos destas formas tão simples de peregrinar. Como quem partilha pão. Nem sempre a partilha é com o outro, mas existe um outro em nós sedento de receber, ansioso por dar. Às vezes é arte que podemos partilhar, outras apenas desabafo que devemos guardar. Como sempre disse aos meus alunos, nem todo o extravasar é arte. É preciso extrair o pão das pedras. Os alquimistas, e quantos não fizeram esses caminhos até Compostela!, bem o sabiam. Enquanto não for ouro, o metal, há que mantê-lo na forja até à completa transformação em pedra preciosa ou perfumado pão. Entretanto, cada um pelos seus meios, por terra, água, ar ou pelo fogo do coração, que vá fazendo, por sua vontade, o inevitável caminho. Pode ser pedregoso, inclinado, longo, perigoso, mas é sempre mais fácil do que aquele que não se escolheu, ou que não se escolhendo, se colheu.

Risoleta C. Pinto Pedro, Lisboa

Risoleta C. Pinto Pedro, Lisboa

Colaboradora Portuguesa

Risoleta C. Pinto Pedro, nascida em Elvas, é autora nas áreas do romance, novela, conto, poesia, teatro, ensaio, crónica periodística e radiofónica (Antena 2), conto infantil e BD, assim como ópera, canção, cantata e musical, tendo escrito libretos a convite dos compositores Jorge Salgueiro, Paulo Brandão e Helena Romão, com incursões também na escrita para dança (Companhia de Dança Amalgama). Tem mais de vinte obras publicadas, para além de colaboração em revistas, catálogos, manuais e colectâneas. Na ficção recebeu o Prémio Revelação APE/IPBL, O Aniversário, 1994; Ferreira de Castro (A Criança Suspensa 1995), tendo sido duas vezes distinguida na poesia pela Sociedade da Língua Portuguesa. Foi professora de Literatura em várias escolas, nomeadamente, e durante mais tempo, na Secundária Artística António Arroio. Tem escrito e feito conferências sobre as obras de: Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Sebastião da Gama, Bocage e Jaime Salazar Sampaio, entre outros. Mais recentemente, tem estudado, escrito e publicado ensaio sobre a obra dos filósofos Agostinho da Silva (A Literatura de Agostinho da Silva, essa alegre inquietação, 2016) e António Telmo (António Telmo- Literatura e Iniciação, 2018), pela editora Zéfiro. Publicou, recentemente, três livros pela editora Sem Nome: Cantarolares, um Sabor Azul (poesia, 2017), Ávida Vida (poesia, 2018) e A Vontade de Alão (novela, 2019). No prelo, a sair no próximo Janeiro, uma novela a anunciar em breve, e em avançado trabalho editorial, dois livros de poesia, um deles já projectado para meados de 2022.

Blogue: http://aluzdascasas.blogspot.com/

A salvação pelo verde

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A loucura dos tempos por Graça Foles

A loucura dos tempos por Graça Foles

Num tempo em que a evolução da humanidade parecia ter alcançado um patamar, nunca atingido, deparamo-nos com a loucura, a insensatez, a ânsia de poder ou a ânsia de viver, saboreando o doce e o amargo dos dias impensáveis, das noites escuras, das trevas e da maldade.

Segundo Hegel, “a loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente”, afirmando, ainda que “só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura”!

Afinal, quem são os loucos dos nossos tempos? Como conseguiremos desvendar o que separa a razão da loucura?

Talvez seja um caminho demasiado complicado para o podermos desvendar. Passemos a factos concretos dos nossos dias e veremos se razão e loucura estão no mesmo patamar, se se entendem ou se ficam em extremos opostos.

Quando se imaginaria que as leis e regras internacionais seriam cumpridas rigorosamente, por todos os povos, porque na sua elaboração, todos ou uma maioria concordou com elas, verificamos o quê?

Aquilo que, num determinado momento, é aceite e assinado como compromisso de honra, pode tornar-se letra morta e os interesses de uns espezinham os interesses dos outros, quando lhes convém, sem se importarem com os danos que podem causar e sofrer, também, com essas atitudes postas em prática.

Passaram oito meses, longos dias de ansiedade, sofrimento, morte e destruição provocados por uma invasão a um território soberano, reconhecido, tanto pela comunidade internacional como pelo invasor que, pela segunda vez, em oito anos, transgride os acordos estabelecidos, tendo ocupado em 2014, a Crimeia e o Donbass, porque a ânsia de poder, o desejo louco de reconstituir o antigo império russo, lhe domina a mente, lhe ofusca a razão e distorce a realidade dos tempos.

O seu grande sonho é destruir a Ucrânia, nem que, para o conseguir, tenha que sacrificar a vida da juventude russa, contrate mercenários, cause fome no mundo, minta e calunie.

Uma triste realidade, sem fim à vista.

Agora, vamos olhar para as pequenas loucuras dos pobres mortais que se atropelam para festejar tradições.

Refiro-me à Festa de Halloween!

Halloween, chamado de Dia das Bruxas, é uma festa com temas sombrios e comemorada anualmente, em 31 de outubro. Os mais novos sabem tudo isto, mas os mais idosos, talvez não conheçam a origem desta tradição que aqui vos vou contar.

A palavra Halloween é uma abreviação da expressão All Hallows’ Eve pela junção das palavras hallow, que significa “santo”, e eve, que significa “véspera”, pois ocorre no dia anterior à celebração do Dia de Todos os Santos.

A origem da festa do Halloween tem uma grande trajetória, visto ser praticada há mais de 3 mil anos.

Surgiu com os celtas, povo politeísta, que acreditava em diversos deuses, relacionados com os animais e as forças da natureza.

Os celtas celebravam o festival de Samhain, que tinha a duração de 3 dias, com início no dia 31 de outubro. Nesse festival, além de se comemorar o fim do verão, comemorava-se a passagem do ano celta, que tinha início no dia 1 de novembro.

Segundo as suas crenças, pensavam que nesse dia, os mortos se levantavam e se apoderavam dos corpos dos vivos.

Por esse motivo, usavam fantasias e a festa era recheada de enfeites horrorosos, com o intuito principal de se defenderem dos maus espíritos.

Durante a Idade Média, a Igreja começou a condenar o evento, e daí surgiu, então, o nome “Dia das Bruxas”.

Durante a época medieval, os curandeiros eram considerados bruxos e por se posicionarem contra os dogmas da Igreja, muitos foram queimados na fogueira.

No intuito de afastar o caráter pagão da festa, a Igreja promoveu alterações no calendário, de forma que o Dia de Todos os Santos passou a ser comemorado no dia 1 de novembro, o que antes acontecia no dia 13 de maio.

Nos Estados Unidos, a tradição do Halloween é muito forte. Foi levada por imigrantes irlandeses, no século XIX. Desde então, a festa tornou-se um sucesso.

As crianças usam fantasias e batem nas portas das casas dos vizinhos, dizendo a tradicional frase: “doce ou travessura?” A brincadeira consiste em pedir doces, ameaçando cometer uma travessura a quem negar as guloseimas.

Na verdade, em todo o mundo a moda “pegou”. Nós não somos exceção, nem a Coreia, infelizmente, onde há a lamentar tantas mortes e feridos, triste ocorrência, na celebração da referida festa.

As casas e as ruas ficam decoradas com temas sombrios, tais como: bruxas, caveiras, múmias, vampiros, fantasmas, etc. Uma das marcas mais emblemáticas da festa são as grandes abóboras, com rosto e com velas dentro.

Atualmente, a comemoração possui um grande valor comercial e a data é feriado nos Estados Unidos.

Por aqui, até me pareceu que não há crise nenhuma. As lojas dos chineses tinham filas enormes para pagamento de acessórios para a grande noite “Das Bruxas”.

Para além dos Estados Unidos, a festa foi difundida por diversos países do mundo, tendo forte tradição no Canadá e no Reino Unido.

Entre nós, a tradição toma força.

O pedido de doces, porta a porta, pelas crianças, está relacionado com a antiga tradição celta. Para acalmar os espíritos maus, as pessoas ofereciam-lhes comida. As mulheres celtas faziam um bolo chamado de “bolo da alma”, que entre nós se chama, ainda hoje, “Pão por Deus”.

pao

Em Portugal, as celebrações perderam-se um pouco, ao longo dos anos, mas há algum tempo atrás, as crianças juntavam-se pela manhã, para ir batendo de porta em porta, a pedir pelos ‘santinhos’ e pela alma das pessoas que já morreram. Levavam uma bolsa de pano e recebiam o que as pessoas podiam dar: dinheiro, maçãs, castanhas, rebuçados, nozes, bolos, chocolates, etc.

brujos

Este costume perdeu-se bastante, porque os pedidos eram feitos por necessidade, devido à miséria que havia em Portugal. Nas casas abastadas, a mesa era posta com o que os donos tinham de melhor para comer e beber e quando os pedintes batiam à porta eram convidados a entrar e a sentar-se.

Em Castelo de Vide, as crianças que pediam, entoavam esta ladainha:

“Senhora! Dê-nos os Santos, por alma dos seus defuntos! Lá estará na Santa cruz, p´ra sempre, ó Jesus!”

Quando as pessoas não davam nada, a canção tinha a mesma melodia, mas a letra era diferente. 

Em Niza, o ritual era o mesmo, mas a intenção era fazer os pedidos aos padrinhos:

“Dê-me a sua bênção, padrinho!”

Os padrinhos respondiam:

“Deus te abençoe e te faça um santinho!”

Davam aos afilhados alguns bolos, os chamados, “santinhos” em forma de lagartos e de bonecos, com ovos e dinheiro.

Bolo típico desta festividade é o chamado “Santoro”, de forma comprida e que se dá aos pedintes ou amigos, em dia de Todos os Santos ou de Finados. Este feriado é ainda aproveitado para o arranjo das campas dos cemitérios com vista à celebração do dia de Finados.

A tradição da vela dentro da abóbora, que entre nós também já se volta a praticar, vem do folclore da Irlanda e está relacionada com a figura de “Jack da lanterna”. No entanto, na história original, a abóbora era um nabo.

Jack era um bêbedo que, enganando o diabo, conseguiu escapar ao inferno. Mas ao morrer, Jack não foi aceite no céu. Então, a sua alma passou a vaguear pelas noites, usando uma lanterna para iluminar o caminho. A lanterna era feita com um nabo.

calacús

Tal tradição verifica-se também na Península Ibérica e é muito antiga, tendo no nosso país exemplos conhecidos na zona do distrito de Coimbra, na Beira Alta e no Minho. Provavelmente estendeu-se, em tempos, a Trás-Os-Montes e até a algumas zonas Alentejanas.

Mundo de loucuras? Estas loucuras não prejudicam ninguém!

Talvez, quem não as pratique, não conheça o prazer de ser louco, brincando!

Graça Foles Amiguinho

Graça Foles Amiguinho

Colaboradora Portuguesa

“Son Maria de Graça Foles Amiguinho Barros. Vivo en Vila nova de Gaia, pero nascín no Alentejo, nunha aldeia pequena chamada A Flor do Alto Alentejo.

Estudei en Elva. Fiz maxisterio en Portoalegre. Minha vida foi adicada ao ensino durante 32 anos, aos meus alumnos ensineilles a amar as letras, o país, as artes e a cultura. 

Meu começo coa poesia aconteceu de xeito dramático cando partin os dous braços, en 2004 comecei a escribir poesia compulsivamente, en 2005 xa tiña o primero libro editado  O meu sentir…”

A guerra do pao

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As distâncias que eu percorri por Antonio Silva

As distâncias que eu percorri por Antonio Silva

Eu venho de muito longe

Percorri léguas e léguas

Eu vim de um tempo

Onde eu perdi o meu lugar

Foi longo o caminho

E os imprevistos que ocorreram

Deixei que a noite me adormecesse,

E usei um travesseiro

Onde a saudade

Fazia-me chorar com as lembranças,

Vim de um tempo quando as algemas

Não me deixavam escrever

Nem ler

Os versos com que eu queria

E eu parti

Me despedi

Para não mais voltar,

Apenas uma mala de viagem

Da cor das papoilas vermelhas

Minhas roupas gastas

E já velhas,

Levei cadernos

Para escrever meus versos

De tamanhos diversos

Como se fossem conchas

Trazidas pelas marés

Que o luar trazia até mim,

E numa noite desmaiada

Quando a lua se perdeu

Nem tive por companhia

As estrelas que eu já conhecia,

E a noite abraçou-me

Até que chegasse a aurora

E eu naufraguei nas minhas sílabas

E escrevi meus versos

Com a lembrança dourada

Da velha madrugada

Que eu já conhecia

Do outro lugar a que eu pertencia,

Foram muitas as distâncias que eu percorri

Léguas e léguas

E sozinho cheguei aqui

Pelas veredas ladeadas de saudade

E ao meu lugar

Não posso mais regressar.

 

António Silva

Setembro de 2022

António Silva

António Silva

Poeta

Eu me chamo António Silva. Sou português e da província do Baixo Alentejo. Gosto muito de pintar e escrever poesia.

Meus poemas são pequenas pinturas coloridas. Cada tela que pinto é um poema colorido. E meus poemas são pinturas que retratam pedaços da minha vida. Recordações de infância que ficaram gravadas em meu coração. Eu gosto de colorir a vida com meus poemas e minhas pinturas. Assim a vida é mais fácil e mais bonita. Pinto e escrevo, como se ainda eu fosse uma criança.

Pois por dentro, eu não mudei, sou uma criança que tem um corpo de adulto.

Roseira velha roseira

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Nona lição de portugués por Anxo González Guerra

Nona lição de portugués por Anxo González Guerra

Nesta nona lição de portugués, Anxo González Guerra fálanos dos froitos que nos da o mar.

Vocabulario:

Do mar: rodovalho, amêijoas, sapateira, santiago, lavagante, robalo, garoupa, cherne, carapau, santola, cracas, conquilhas, cação, sável, tamboril, salmão, mexilhão, camarão, atum, polvo, bacalhau, sardinha, lulas, percebes, pescada, salmonete, lampreia , lapas

Preparado: cozido, guisado, com arroz, grelhado, em espetada, assado no forno, em escabeche, en caldeirada, esparguete, massada, açorda, rissol de peixe, xarém

Anxo González Guerra

Anxo González Guerra

Profesor de Galego

Son Anxo González Guerra. Crieme entre Trasar de Carballo e a Cervela, lugares da montaña luguesa. No Seminario tiven de profesor ao mestre das etimoloxías Nicandro Ares, no Instituto a Alonso Montero, no Colexio Universitario a Anxo Tarrío e na Facultade de Filoloxía a Carvalho Calero. Terán algo que ver en que sexa un dos integrantes da 1ª promoción de Galego-Portugués?

De xaneiro de 1980 a abril de 2015 fun profesor de Lingua Galega e Literatura no IES Sánchez Cantón onde tiven alumnos e alumnas marabillosos. Desde 2005 Vitoria Ogando e mais eu fomos poñendo materiais na Internet: ogalego.eu. E seguimos de xubilados.

Alá na miña terra da infancia aos xubilados dáselles por traballar unha ribeira ou un morteiro. A min dáseme por cousas de lingua e literatura, alí onde queiran escoitarme. A cabeza non para, non convén estar ocioso.

Viaxar a Portugal

Liçao 8

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