Os nossos Santos populares por Graça Foles

Os nossos Santos populares por Graça Foles

Chegado o mês de junho, é tradição, de norte a sul de Portugal, se festejarem os santos mais populares, entre nós: Santo António, São João e São Pedro.

Assim, Lisboa é palco de festa rija, com sardinha assada, procissões e marchas populares, no dia 13 de junho, acarinhando o grande Fernando de Bulhões.

Fernando de Bulhões é o verdadeiro nome de Santo António, nascido em Lisboa, em 15 de agosto de 1195, numa família de posses. Aos 15 anos entrou para um convento agostiniano, primeiro em Lisboa e depois em Coimbra, onde provavelmente se ordenou. Em 1220 trocou o nome para António e ingressou na Ordem Franciscana, na esperança de, a exemplo dos mártires, pregar aos sarracenos, em Marrocos, no Norte de África. Após um ano de catequese nesse país, teve de deixá-lo, devido a uma enfermidade e seguiu para a Itália.

Indicado professor de teologia pelo próprio são Francisco de Assis, lecionou nas universidades de Bolonha, Toulouse, Montpellier, Puy-en-Velay e Pádua, adquirindo grande renome como orador sacro no sul da França e na Itália. Ficaram célebres os sermões que proferiu em Forli, Provença, Languedoc e Paris. Em todos esses lugares as suas pregações encontravam forte eco popular, pois lhe eram atribuídos feitos prodigiosos, o que contribuía para o crescimento da sua fama de santidade.

A saúde, sempre precária, levou-o a recolher-se ao convento de Arcella, perto de Pádua, onde escreveu uma série de sermões para domingos e dias santificados, alguns dos quais seriam reunidos e publicados entre 1895 e 1913. Dentro da Ordem Franciscana, António liderou um grupo que se insurgiu contra os abrandamentos introduzidos na regra pelo superior Elias.

Após uma crise de hidropisia, uma acumulação de líquido seroso no tecido celular ou em cavidades do corpo, António morreu a caminho de Pádua, em 13 de junho de 1231. Foi canonizado em 13 de maio de 1232, apenas 11 meses depois de sua morte, pelo papa Gregório IX.

A profundidade dos textos doutrinários que Santo António deixou escritos, fez com que em 1946 o papa Pio XII o declarasse doutor da igreja. O monge franciscano, conhecido como Santo António de Pádua ou de Lisboa, tem sido, ao longo dos séculos, objeto de grande devoção popular.

A sua veneração é muito difundida nos países latinos, principalmente em Portugal e no Brasil. Padroeiro dos pobres e casamenteiro, é invocado também para o encontro de objetos perdidos. Sobre o seu túmulo, em Pádua, foi construída a basílica a ele dedicada. Aí está, embalsamada, a sua língua!

Sempre que algum objeto se perde ou não nos lembramos onde o guardámos, rezando com fé, o responso a S. António, milagrosamente, ele aparece. Aqui fica, para quem o quiser rezar!

Se milagres desejais, recorrei a S. António! Vereis fugir o demónio e as tentações infernais. Recupera-se o perdido, rompe-se a dura prisão e no auge do furacão, cede o mar embravecido! Pela sua intercessão foge a peste, o erro, a morte, o fraco torna-se forte e torna-se o enfermo são! Todos os males humanos se moderam, se retiram! Digam-no aqueles que O viram, digam-no os Paduanos!”

Tanto portugueses, como italianos, o consideram como seu.

Fazendo jus ao seu poder, como protetor dos namorados, em Lisboa, na sua festividade, a maior da capital, há sempre a celebração de muitos casamentos, bodas de prata e ouro, com todas as despesas pagas, relativas a roupas e banquete, pela Câmara Municipal.

Nas marchas populares, que acontecem nas vésperas do dia 13, à noite, desfilam os grupos organizados de todos os Bairros da cidade de Lisboa, com trajes coloridos, cantando lindas melodias, alusivas ao passado e ao presente deste povo de marinheiros, que cruzou os mares, de varinas com os seus pregões, sempre com padrinhos ou madrinhas escolhidos entre os artistas de teatro, cinema ou música, mais populares entre nós.

Segue-se, depois, o São João, dia 24 de junho. A cidade do Porto e a cidade de Braga são conhecidas, mundialmente, por estes festejos populares. Não falta o manjerico, a erva-cidreira e de há uns anos a esta parte, o uso dos martelinhos, que na noite de S. João se tornaram uma tradição em todas as “rusgas” que percorrem a cidade, tendo grande impacto na zona das Fontainhas, onde a tradição se mantém mais pura, com as suas cascatas coloridas. É uma noite de grande folia e ninguém fica em casa. É a festa mais genuína de Portugal, pois é de toda a gente. À meia-noite, há um grande fogo-de-artifício deitado a partir de embarcações ancoradas no rio Douro, o que traz à cidade, turistas de todo o mundo, para apreciarem tão belo espetáculo de luz, cor e arte.

Canta o povo, com alegria:

São João, p´ra ver as moças, fez uma fonte de prata! As moças não vão à fonte, S. João todo se mata!”

Finalmente, a 28 de junho, comemora-se São Pedro, o pescador que se tornou o fundador da Igreja de Cristo. Muitas freguesias o têm como seu Padroeiro. Aqui, no concelho de Gaia, é famoso o S. Pedro da Afurada, uma aldeia de pescadores, que mantém as suas tradições. Não falta boa sardinha assada, música popular e foguetes a estalar!

Nos últimos dois anos, em virtude das contingências provocadas pela pandemia, todas estas festividades foram canceladas. Este ano, certamente, terão uma grande afluência, pois o povo precisa voltar a brincar, a rir, a cantar e a conviver!

Que os nossos Santos Populares nos livrem de males maiores!

Graça Foles Amiguinho

Graça Foles Amiguinho

Colaboradora Portuguesa

“Son Maria de Graça Foles Amiguinho Barros. Vivo en Vila nova de Gaia, pero nascín no Alentejo, nunha aldeia pequena chamada A Flor do Alto Alentejo.

Estudei en Elva. Fiz maxisterio en Portoalegre. Minha vida foi adicada ao ensino durante 32 anos, aos meus alumnos ensineilles a amar as letras, o país, as artes e a cultura. 

Meu começo coa poesia aconteceu de xeito dramático cando partin os dous braços, en 2004 comecei a escribir poesia compulsivamente, en 2005 xa tiña o primero libro editado  O meu sentir…”

A guerra do pao

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Amor suspenso por Teresa Melo

Amor suspenso por Teresa Melo

AMOR SUSPENSO
É uma dor constante,
Que não desaparece,
Essa, a do amor,
Que com todo o seu fervor,
Acalenta…
Estremece…
O meu coração sangrento,
Ávido de angústia,
Incansável e persistente,
Em manter a chaga abrasada,
Não cedendo ao desespero e solidão.
Toda eu, água quero ser!
Que corre ,sem parar,
Como a de um rio,
Antes, do desaguar no mar.
Doce, fresca, límpida
Sem pressa, para ao meu destino, chegar!
E um dia, em plácido repouso ,adormecer,
Apaziguada pela dor constante,
Que com todo o seu fervor,
Aviventou o nosso o nosso amor!

          Pintura e poema de Teresa Melo

María Teresa Van Caennemberg de Oliveira Melo

María Teresa Van Caennemberg de Oliveira Melo

Nascida em 05/12/1958 em São João da Madeira onde viveu até 1973.

Nesse ano trocou a vida pacata da vila pelo rebuliço da garbosa cidade do Porto onde concluiu os estudos na área de Turismo, profissão que abraçou apaixonadamente até 2008.

Seus pais sempre lhe incutiram a importância da leitura, narração de histórias e viagens como pilar do ensino-aprendizagem que a levaram a escrever textos e poemas desde adolescência.

Sua paixão pela Arte tenta conciliar a pintura e a escrita.

Em 2020 participou na Colectânea Raia Luso Espanhola a convite da poetisa e amiga Graça Foles Amiguinho.

Em 2021, participou na Colectânea Cultura Sem Fronteiras.

” Acredito que a Arte é a alma da Sociedade”

Mundo das flores

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A guerra do PÃO por Graça Foles

A guerra do PÃO por Graça Foles

Mais doiradas do que o sol,
carregadas de amor e pão,
dizem adeus à terra seca.
Levam consigo a saudade
do meu carinho e afeição.

Lembro as tardes quentes de verão, no Alentejo, nos meus tempos de criança e jovem, quando um bom “gaspacho” nos deliciava e refrescava.

Lembro as saborosas “açordas” comidas em qualquer época do ano, acompanhadas de umas grossas azeitonas ou uns bons figos madurinhos.

Lembro o “ensopado de cabrito” na altura da Páscoa.

Lembro as gostosas “migas” feitas com a gordura do toucinho frito e acompanhadas com deliciosas costeletinhas de porco, também fritas em azeite puro das nossas oliveiras.

E qual a razão de tantas lembranças?

A principal prende-se ao facto de o alimento fundamental usado em todos estes “Pratos típicos Alentejanos” ser o “PÃO”, o nosso alvo e tão apreciado, pão de trigo.

Os tempos mudam e com eles se mudam as vontades, os interesses e até os costumes vão ficando arrumados em gavetas fechadas, mas que, de vez em quando, nos lembramos de abrir, talvez para arejarem e nos trazerem à memória, recordações dos tempos que vivemos, do que vimos à nossa volta, do sentir da nossa gente.

Com a situação dramática que todos os dias chega aos nossos ouvidos e aos nossos olhos, vamo-nos apercebendo de realidades que até agora passavam despercebidas e não tinham grande impacto no nosso dia-a-dia.

A Guerra da Ucrânia tem-nos alertado para os perigos que ameaçam o mundo, sendo a fome, talvez, a maior desgraça que poderá matar muito mais seres humanos do que uma guerra.

Sabemos que a Ucrânia é um dos grandes produtores de cereais que alimentam o mundo. Ao serem impedidas as exportações, pelo invasor, toda a humanidade poderá sentir a falta de trigo, milho, girassol e seus derivados, sendo possivelmente, as regiões mais pobres do mundo, a sofrerem o maior impacto e a enfrentarem o drama da morte, por falta de alimentos.

Perante tais notícias, o meu pensamento foi buscar à tal gaveta das memórias, as recordações do tempo em que os campos da minha Aldeia eram semeados de trigo, aveia, centeio e cevada, que nesta altura do ano já estavam ceifados e guardados nos grandes silos, construídos junto à estação de caminho-de-ferro, para esses cereais seguirem para as moagens e se transformarem em farinhas. Eram a garantia da alimentação da população e dos animais.

espigas

Espigas e Papoilas

Rubro, do mais rubro sangue,
na face sedutora da ceifeira,
lábios sedentos de beijos,
morena, de pele trigueira.

Na seara por colher, ainda,
há espigas e papoilas.
Ouvem-se lindas cantigas,
nas vozes frescas das moçoilas.

Alentejo é assim,
terra de sol e de pão,
que guardo dentro de mim!

De tão longe, o meu abraço
se estende para ti,
meu amado Alentejo, onde nasci!

Lembro-me que, no dia 10 de junho, dia da Feira da Aldeia, nos terrenos circundantes da minha casa, o restolho ainda alto, tinha que ser pisado, pois era aí que se instalavam as barracas com todo o tipo de negócios, desde a venda de gado, à venda de louças, doçarias, não faltando o torrão branco, as gemas de ovos e o sempre apreciado brinhol, as bebidas, quando ainda não havia coca-cola e o pirolito era rei, para além das diversões como o circo, o carrocel, as meias luas e o poço da morte.

Eram tempos em que o povo, apesar de ser mal pago, no seu trabalho, tinha trabalho. Só quem se desse à preguiça ficava em casa. As condições de uma vida de pobres não era sinónimo de tristeza. As pessoas procuravam a sua sobrevivência com inteligência e aproveitando o pouco que tinham, dando-lhe valor.

Todo esse viver ficará para sempre gravado nas canções cantadas logo ao amanhecer, quando saíam para as ceifas, às 4 da madrugada, para pegarem ao trabalho, enquanto o sol lhes permitisse, porque as temperaturas assim o exigem, ainda hoje. Isso não mudou, embora os trabalhadores tenham horários diferentes.

A situação nos campos do Alentejo mudou, radicalmente, nos últimos anos. Os campos de cultivo de cereais foram ocupados por olivais, na sua maioria, explorados por empresários estrangeiros. É certo que Portugal está na vanguarda, no fabrico de azeite, criando lugar de prestígio nos mercados, mas passou a depender do estrangeiro na compra de cereais.

Se esta terrível guerra continuar, sem se imaginar, por quanto tempo e a Rússia impedir a exportação de milhões de toneladas de cereais da Ucrânia, ou se os roubar, como se consta que o está fazendo, o mundo enfrentará uma grave crise de fome e os povos mais pobres serão os mais afetados.

Será que todas as mudanças nos levam ao verdeiro progresso e bem-estar de todos?

Graça Foles Amiguinho

Graça Foles Amiguinho

Colaboradora Portuguesa

“Son Maria de Graça Foles Amiguinho Barros. Vivo en Vila nova de Gaia, pero nascín no Alentejo, nunha aldeia pequena chamada A Flor do Alto Alentejo.

Estudei en Elva. Fiz maxisterio en Portoalegre. Minha vida foi adicada ao ensino durante 32 anos, aos meus alumnos ensineilles a amar as letras, o país, as artes e a cultura. 

Meu começo coa poesia aconteceu de xeito dramático cando partin os dous braços, en 2004 comecei a escribir poesia compulsivamente, en 2005 xa tiña o primero libro editado  O meu sentir…”

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Oitava liçao por Anxo González Guerra

Oitava liçao por Anxo González Guerra

Nesta oitava lição de portugués, Anxo González Guerra ensínanos algunhas palabras relacionadas cos alimentos e as comidas.

Algunhas delas son estas:

os lácteos= lacticínos

os espaguetes=esparguetes

o apio=aipo

a remolacha=beterrada

e moitos ingredientes verdes máis

Anxo González Guerra

Anxo González Guerra

Profesor de Galego

Son Anxo González Guerra. Crieme entre Trasar de Carballo e a Cervela, lugares da montaña luguesa. No Seminario tiven de profesor ao mestre das etimoloxías Nicandro Ares, no Instituto a Alonso Montero, no Colexio Universitario a Anxo Tarrío e na Facultade de Filoloxía a Carvalho Calero. Terán algo que ver en que sexa un dos integrantes da 1ª promoción de Galego-Portugués?

De xaneiro de 1980 a abril de 2015 fun profesor de Lingua Galega e Literatura no IES Sánchez Cantón onde tiven alumnos e alumnas marabillosos. Desde 2005 Vitoria Ogando e mais eu fomos poñendo materiais na Internet: ogalego.eu. E seguimos de xubilados.

Alá na miña terra da infancia aos xubilados dáselles por traballar unha ribeira ou un morteiro. A min dáseme por cousas de lingua e literatura, alí onde queiran escoitarme. A cabeza non para, non convén estar ocioso.

Viaxar a Portugal

Liçao 7

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Um amigo da Galiza, da paz e da liberdade por Risoleta C. Pinto

Um amigo da Galiza, da paz e da liberdade por Risoleta C. Pinto

Nos tempos que correm, com o conflito a que assistimos e que nos aflige, mais do que nunca sonhamos com uma união internacional de povos, como defendia Agostinho da Silva, não para o apagamento de cada povo, mas para a exaltação e defesa da paz no respeito do todo por cada um, de cada um por cada um e de cada um por si mesmo e por todos. Tudo o que está a falhar nesta altura. Tudo o que, salvo algumas excepções, tem falhado até hoje.

Agostinho da Silva, professor, escritor, filósofo, conferencista, editor, homem dos sete instrumentos, é um brilhante ser humano nascido em 1906, no Porto, tendo-se licenciado com 20 valores em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras do Porto, e feito o doutoramento com a avaliação máxima. Depois de estadia na Sorbonne com uma bolsa, lecciona em Aveiro, no ensino secundário. Desde muito cedo, pela sua irreverência e espírito livre, torna-se politicamente incómodo, recusando-se a assinar a Lei Cabral, que obrigava os funcionários do Estado a declararem não pertencer a organizações secretas. Isto visava quer grupos políticos clandestinos, quer a Maçonaria. Embora não pertencesse nem a uns nem a outros, recusou-se a fazê-lo, e não pôde continuar a leccionar no ensino público. Fê-lo no particular e deu lições individuais a alguns que mais tarde se tornaram vultos da cultura e estadistas, como o futuro governante Mário Soares.

Em 1944, após ter sido feito prisioneiro pela polícia política por insistir em pensar e em pronunciar-se de forma livre, através da sua actividade editorial e de conferencista, deixa a Pátria e parte para o Brasil onde funda universidades e lecciona, bem como chega a ser conselheiro do Presidente.

Em 1969 regressa a Portugal, onde cria o Fundo D. Dinis, com uma pensão que lhe fora atribuída e que se recusou a usar em proveito próprio, o que sempre fizera ao longo da vida.  Durante este período dirigiu o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e foi consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa. Foi ainda agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

orden de Santiago
ordem da liberdade

Quando lhe foi concedida a Ordem da Liberdade, este irreverente ser não compareceu na cerimónia e foi até Sesimbra, uma das terras do seu coração. Fê-lo para ser coerente com o título que lhe estava a ser concedido.

É nesta fase pós-Brasil que consolida a sua amizade com a Galiza através de frequentes visitas. Na sua “Carta chamada Santiago”, com enorme probabilidade de ter sido escrita em Santiago de Compostela, diz o seguinte:

[…] um dia, mais ou menos longínquo, constituamos todos, desde Lisboa ao Acre, ou desde os Açores a Timor, ou desde Luanda a Macau, senhor cada um de seus caminhos e todos do total, uma Comunidade que sirva de base a uma final União Internacional de Povos […]. Ensaiaremos depois Federações regionais, quem sabe se começando por uma Confederação Atlântica que uniria Brasil, Angola, Guiné e Portugal e a que poderia vir tanta outra nação já não, ou ainda não, de língua nossa, mas que devesse, como nós, defender acima de tudo Justiça e Paz. Um dia estará nisto o mundo inteiro, e um Inteiro Mundo; por enquanto, bem ao fundo de um túnel: já, porém, com sua alma, ou esperança, de luz.»

Escreveu-o em 1974, e como continuamos longe.

Tem uma curiosidade, esta carta. O seu mote é uma quadra popular da Galiza que certamente todos os galegos conhecem, mas de que eu apenas tive conhecimento por Agostinho: “Santiago de Galicia/ espello de Portugal,/ axudanos a vencer/ esta batalla real».

Risoleta C. Pinto Pedro, Lisboa

Risoleta C. Pinto Pedro, Lisboa

Colaboradora Portuguesa

Risoleta C. Pinto Pedro, nascida em Elvas, é autora nas áreas do romance, novela, conto, poesia, teatro, ensaio, crónica periodística e radiofónica (Antena 2), conto infantil e BD, assim como ópera, canção, cantata e musical, tendo escrito libretos a convite dos compositores Jorge Salgueiro, Paulo Brandão e Helena Romão, com incursões também na escrita para dança (Companhia de Dança Amalgama). Tem mais de vinte obras publicadas, para além de colaboração em revistas, catálogos, manuais e colectâneas. Na ficção recebeu o Prémio Revelação APE/IPBL, O Aniversário, 1994; Ferreira de Castro (A Criança Suspensa 1995), tendo sido duas vezes distinguida na poesia pela Sociedade da Língua Portuguesa. Foi professora de Literatura em várias escolas, nomeadamente, e durante mais tempo, na Secundária Artística António Arroio. Tem escrito e feito conferências sobre as obras de: Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Sebastião da Gama, Bocage e Jaime Salazar Sampaio, entre outros. Mais recentemente, tem estudado, escrito e publicado ensaio sobre a obra dos filósofos Agostinho da Silva (A Literatura de Agostinho da Silva, essa alegre inquietação, 2016) e António Telmo (António Telmo- Literatura e Iniciação, 2018), pela editora Zéfiro. Publicou, recentemente, três livros pela editora Sem Nome: Cantarolares, um Sabor Azul (poesia, 2017), Ávida Vida (poesia, 2018) e A Vontade de Alão (novela, 2019). No prelo, a sair no próximo Janeiro, uma novela a anunciar em breve, e em avançado trabalho editorial, dois livros de poesia, um deles já projectado para meados de 2022.

Blogue: http://aluzdascasas.blogspot.com/

Da centralidade do afecto

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Fátima e as guerras na Europa por Graça Foles

Fátima e as guerras na Europa por Graça Foles

Pelas estradas de Portugal, de norte a sul, há caminhantes que, no seu passo ligeiro, se esquecem das suas limitações naturais e procuram chegar, no tempo certo, ao lugar onde um dia, três humildes crianças, inocentes, guardadoras de gado, crianças reais, não imaginárias, Lúcia, Francisco e Jacinta, nem criadas por uma mente fértil, nem por uma religião, cujos olhos e ouvidos se aperceberam de algo transcendente, inexplicável, inacreditável, podemos dizer.

Passaram por situações de pressão e interrogatórios que nunca as demoveram de falar do que viram e ouviram.

Coisas que ultrapassam a mente humana, e, por tantas razões, sugerem tão diferentes interpretações.

Uns acreditam no impossível, outros, apenas no que é palpável. Somos diferentes e temos liberdade para crer no que, muito bem, a nossa mente nos aconselha. Seremos loucos, os que acreditamos em milagres? Talvez!

Serão estes fenómenos compreensíveis apenas para os menos inteligentes e mais humildes? Não! A verdadeira convicção, a compreensão e aceitação de certos fenómenos, não é só privilégio de alguns.

Em 1917, a população portuguesa era maioritariamente analfabeta. Poucos, muito poucos sabiam o que se passava na Europa e no Mundo!

pastores

Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918, foi considerada por muitos de seus contemporâneos como a mais terrível das guerras. Por este motivo, tornou-se conhecida durante muito tempo como “A Grande Guerra”. Para se compreenderem os motivos de ter sido uma guerra tão longa e de proporções catastróficas é necessário relembrar alguns aspetos do cenário político e económico mundial das últimas décadas do século XIX.

Na segunda metade do século XIX, a junção entre capitalismo financeiro e capitalismo industrial proporcionou a integração económica mundial, favorecendo assim, principalmente, as nações que haviam começado o seu processo de industrialização. Essas mesmas nações expandiram significativamente o seu território em direção a outros continentes, sobretudo ao Asiático, ao Africano e à Oceânia. A Inglaterra, por exemplo, integrou grandes países ao seu Império, como a Índia e a Austrália. Todo esse processo é tratado pelos historiadores como Imperialismo e NeocolonialismoNesse cenário se desencadearam os principais problemas que culminaram no conflito mundial.

Milagro

No início da década de 1870, a Alemanha promovia sua unificação com a Prússia e, ao mesmo tempo, enfrentava a França naquela que ficou conhecida como Guerra Franco-Prussiana. Ao vencer a França, a Alemanha passou a ter posse sobre uma região rica em minério de ferro, que foi importantíssima para o desenvolvimento da sua indústria, incluindo a indústria bélica. Tratava-se da região da Alsácia e Lorena. A França, na década posterior à guerra contra a Alemanha, desenvolveu um forte sentimento de revolta, o que provocava uma enorme tensão na fronteira entre os dois países. A tensão se agravou quando Otto Von Bismarck, o líder da unificação alemã, estabeleceu uma aliança com a Áustria-Hungria e com a Itália, que ficou conhecida como Tríplice Aliança. Essa aliança estabelecia tanto acordos comerciais e financeiros, como acordos militares.

A França, que se via progressivamente ameaçada pela influência que era estabelecida pela Alemanha, passou a firmar acordos, do mesmo género da Tríplice Aliança, com o Império Russo, czarista, em 1894. A Inglaterra, que era um dos maiores impérios da época e também se resguardava do avanço alemão e temia sofrer perdas de território e bloqueios econômicos, acabou por se aliar à França e à Rússia, formando assim a Tríplice Aliança ou Tríplice Entente.

A tensão entre as duas alianças se tornou crescente, especificamente em algumas regiões, como a península balcânica. Na região dos Balcãs, dois grandes impérios lutavam para impôr um domínio de matiz nacionalista: o Austro-Húngaro e o Russo. A Rússia procurava expandir a sua ideologia nacionalista eslava (conhecida como Pan-eslavismo) e apoiava a criação, nos Balcãs, do estado da Grande Sérvia, enquanto a Áustria-Hungria se aproveitava da fragilidade do Império Turco-Otomano (que dominou esta região durante muito tempo) e procurava, com a ajuda da Alemanha, estabelecer um controle na mesma região, valendo-se também de uma ideologia nacionalista (conhecida como Pangermanismo). No ano de 1908, a região da Bósnia-Herzegovina foi anexada pela Áustria-Hungria, o que dificultou a criação da “Grande Sérvia”. Além disso, a Alemanha tinha interesses comerciais no Oriente Médio, em especial no Golfo Pérsico, e pretendia construir uma ferrovia de Berlim a Bagdá, passando pela península balcânica.

O rastilho para o conflito entre as duas grandes forças que se concentravam na região dos Balcãs veio com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, por um militante da organização terrorista Mão Negra, nacionalista eslavo. O assassinato do arquiduque ocorreu em 28 de janeiro de 1914, em Sarajevo, capital da Bósnia. Francisco Ferdinando tinha ido a Sarajevo com a proposta da criação de uma monarquia tríplice para região, que seria governada por austríacos, húngaros e eslavos. A sua morte acirrou os ânimos nacionalistas e conduziu as alianças das principais potências europeias, à guerra.

O assassinato de Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, na cidade de Sarajevo, foi considerado o estopim da Primeira Guerra

A Áustria percebeu, neste fatídico acontecimento, a oportunidade de atacar a Sérvia e demolir o projeto eslavo de construção de um forte estado. Sendo assim, Áustria-Hungria e Alemanha deram um ultimato à Sérvia para solucionar o caso do assassinato de Francisco Ferdinando. A Servia negou-se a ceder à pressão dos germânicos e, com o apoio da Rússia, sua aliada, preparou-se para o que veio a seguir: a declaração de guerra por parte da Áustria-Hungria, que foi formalizada em 28 de julho de 1914. Logo a França ofereceu apoio à Rússia, contra a Áustria-Hungria, o que fez a Alemanha declarar guerra contra a Rússia e a França. O conflito logo se expandiu para outras regiões do globo.

Cortejo fúnebre

A guerra se intensificou, quando o exército alemão, que era o mais moderno da época, rumou em direção à França, passando pelo território belga, que era neutro. Isso fez com que a Inglaterra, aliada da Rússia, declarasse guerra à Alemanha. A partir desse momento, a guerra ganhou proporções cada vez mais catastróficas. As principais formas de tática militar eram a guerra de trincheiras, ou guerra de posição, que tinha por objetivo a proteção de territórios conquistados; e a guerra de movimento, ou de avanço de posições, que era mais ofensiva e contava com armamentos pesados e infantaria equipada.

Ao longo da guerra, o uso de novas armas, aperfeiçoadas pela indústria, aliado a novas invenções como o avião e os tanques, deu aos combates uma característica de impotência por parte dos soldados. Milhares de homens morreram instantaneamente em bombardeios ou envoltos em imensas nuvens de gás tóxico. O ano de 1917 foi decisivo no contexto da “Grande Guerra”. Nesse ano, a Rússia se retirou da frente de batalha, porque o seu exército estava obsoleto e a sua economia arruinada. Foi neste ano também que os revolucionários bolcheviques fizeram sua revolução comunista na Rússia, fato crucial para a efervescência política europeia das décadas seguintes. Foi ainda em 1917 que os Estados Unidos entraram na guerra ao lado da Inglaterra e da França e contra a Alemanha, que já não tinha a mesma força do início da guerra. Sendo que, após o fim da Primeira Guerra em 1918, os Estados Unidos tornaram-se a grande potência fora do continente europeu.

A “Grande Guerra” chegou ao fim, em 1918, com vitória dos aliados da França e grande derrota da Alemanha. O ponto mais importante a destacar-se, quanto ao fim da guerra, são as determinações do Tratado de Versalhes. Nessas determinações, os países vencedores não aceitaram a orientação da Liga das Nações de não submeter a Alemanha derrotada à indemnização pelos danos da guerra. Sendo assim, a Alemanha foi obrigada a ceder territórios e a reorganizar a sua economia tendo em conta o futuro ressarcimento aos países vencedores da Primeira Guerra, sobretudo a França.

O saldo de mortos durante os cinco anos da Primeira Guerra foi de um total de 8 milhões, dentre estes, 1.800.000 apenas de alemães.”

No emaranhado da História da humanidade surgem as Aparições em Fátima, quando uma Senhora vestida de branco, descida dos céus e pousando sobre uma azinheira, pede a 3 inocentes pastorinhos para rezarem pela Paz na Terra!

Em pleno século XXI, a Europa defronta-se com uma guerra infame, com razões que a razão desconhece, verdadeiramente, e que está causando morte, destruição e insegurança em todo o mundo.

As nossas orações voltam-se para a Senhora de Fátima implorando a Paz entre os homens e que o Amor reine em toda a Terra!

É em Fátima que muitos peregrinos encontram a Paz e a Esperança tantas vezes enfraquecidas, nas suas vidas.

Não foi por mero acaso que uma imagem da Virgem de Fátima foi levada para Lviv, na Ucrânia, em 17 de março 2022, como “Mensageira da Paz”.

Que a Paz se torne uma realidade na Ucrânia, massacrada pela guerra!

Ps. (consulta a wikipédia)

Graça Foles Amiguinho

Graça Foles Amiguinho

Colaboradora Portuguesa

“Son Maria de Graça Foles Amiguinho Barros. Vivo en Vila nova de Gaia, pero nascín no Alentejo, nunha aldeia pequena chamada A Flor do Alto Alentejo.

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