O espelho onde me revejo

Olho-me ao espelho devagar

E perante mim, passam todos os anos que eu tenho

Como se fosse um filme, uma película a preto e branco

São as imagens de uma vida

Que lentamente eu vejo e revejo no espelho velho,

Atentamente reconheço várias cenas

Vejo-me quando eu menino, corria descalço

Pelos campos floridos e cultivados

Com brincadeiras do menino, que queria conhecer o mar

São os reflexos de um tempo distante, que já não volta,

Quase que ouço o sussurro do vento

Que graciosamente acariciava o meu rosto

Enquanto eu ia cantarolando

Uma canção, alegre e bem antiga,

Em outra parte da película

Vejo como eu cresci, me tornei homem

O homem que ainda gosta de ver o mar

Vejo cenas de triunfos e de fracassos

São imagens desfocadas do meu passado,

Hoje, eu sou o resultado da soma dos meus anos

As cenas a preto e branco dançam em minha mente

E a vida adulta é um cenário em constante mutação

São as minhas memórias, as minhas histórias

Que se vão desvanecendo com a passagem dos anos,

O espelho é simplesmente uma janela para o passado

Onde o tempo flui sem parar

Como se fosse um rio

Que procura como eu também ver o mar,

O espelho reflete quem eu era e quem eu sou agora

Olho para trás, mas agora só vejo a minha sombra

Que se reflete na parede caiada de branco,

E arrumo o velho espelho, no sótão do passado

Mas de uma coisa eu sei

Eu nunca irei esquecer qual é o meu sobrenome.

 

António Silva

Junho de 2025

António Silva

António Silva

Poeta

Eu me chamo António Silva. Sou português e da província do Baixo Alentejo. Gosto muito de pintar e escrever poesia.

Meus poemas são pequenas pinturas coloridas. Cada tela que pinto é um poema colorido. E meus poemas são pinturas que retratam pedaços da minha vida. Recordações de infância que ficaram gravadas em meu coração. Eu gosto de colorir a vida com meus poemas e minhas pinturas. Assim a vida é mais fácil e mais bonita. Pinto e escrevo, como se ainda eu fosse uma criança.

Pois por dentro, eu não mudei, sou uma criança que tem um corpo de adulto.

Comi meu pão de côdea já dura

Nunca me despedi de ti

Deixaste comigo um pouco do teu perfume

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